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A Busca

Você está dizendo que a busca é imaginária?

Não, de forma alguma. A busca é uma experiência real. O que é imaginário é o conceito ou imagem que o aspirante projeta como o fim da busca e da realização espiritual – a imagem do que traz o fim do sofrimento.

O estado de liberdade que você diz “você teve” produziu uma imagem ou memória. E há um desejo de recuperar essa experiência por causa da crença de que essa experiência está em algum lugar escondida além do seu alcance ou no futuro. Essa crença é falsa, no entanto, o aspirante pode insistir em seguir essa direção. É a mente tentando encontrar uma solução dentro da mente. Isso não funciona.

Mas a busca tem graus de intensidade como qualquer outra coisa. Quando chega ao grau de tormento, podemos nos tornar tão exaustos que um Vislumbre pode surgir e revelar a Liberdade buscada. Ou podemos ficar tão irritados com a Advaita e estes sábios que vamos à procura de algum outro ensinamento ou professor que seja, finalmente, a “coisa real”. Ou podemos sair graciosa e discretamente do sofrimento sem alarde.

A noção de que “eu” e “Aquilo” são duas coisas separadas é o cerne da questão, não importa se você segue Buda ou o Zé da esquina. É uma noção falsa e nenhuma quantidade de conversa ou pensamento pode dissolvê-la. Mas dado o estímulo certo, a atenção pode mover-se daquele beco sem saída mental para O Que É.

Tudo o que existe, é Presença ou Consciência, sempre e em qualquer lugar, e dentro deste “Campo da Existência” essas imagens, crenças e todas as experiências aparecem, incluindo a sensação de separação e busca.

Quando a Presença é realizada como sendo tudo o que existe e a crença de que estamos separados dela cessa, a história da busca termina. Outras imagens e histórias permanecem, mas a busca se dissolve. Qualquer sofrimento residual, se surgir, nunca mais o “morderá” da mesma maneira. Não há mais nada de errado. A inquietação do espírito cessa.

A preocupação com a vida ou a morte, ou demasiada preocupação com a dor ou o prazer cessa. Não porque elas não existem, obviamente existem, à sua maneira relativa; mas porque aquele que antes estava preocupado já não existe — nunca existiu na realidade. Tudo o que existe é Consciência ou Presença e isso é o que somos. “Eu” é irrelevante.

Diz-se que Buda definiu a Iluminação como “o fim do sofrimento”. Isso me soa correto.

A imaginação é o jogo da vida, é pura criatividade impessoal, não há nada de errado com ela. Exceto quando a imaginação cria o sentimento de separação e sofrimento desnecessário, no qual a busca se baseia. Nesse caso, o trabalho espiritual e a atenção podem se tornar úteis.

Então não há nada de errado a não ser a sensação de separação e sofrimento estarem "errados"?

Não nos enfoquemos em minúcias semânticas. O sofrimento psicológico é desagradável e desnecessário. Se as coisas forem vistas da perspectiva correta, não imaginária, o sofrimento cessa. “A Verdade o Libertará”, independentemente das delicadezas da linguagem.

Dito isso, da perspectiva do Que Somos, não há nada de errado mesmo com o sofrimento psicológico. O céu não sente que há algo de errado com as nuvens negras.

As pessoas tornaram a noção de iluminação algo especial, raro e extraordinário. Isso mostra como a imaginação humana é criativa quando opera baseada na idéia imaginária de nós mesmos, e como a experiência da maioria das pessoas pode se sentir tão desconectada da nossa Essência. Iluminação significa que somos normais. Não há como projetar ou forçar nada ou ninguém a ser diferente do que todos nós somos.

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