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Raiva

Por que a Iluminação é tão desejável?

Porque é o fim do sofrimento.

Que tipo de sofrimento?

O sofrimento baseado na imaginação e na identificação com um “eu” vulnerável. Por exemplo: ansiedade, culpa, pressa, sentimentos de opressão, sentimentos de inadequação, teimosia, cobiça, medo do futuro. É o sofrimento associado às sete características principais da falsa personalidade.

E a raiva?

A raiva é uma reação natural ao aborrecimento ou ao desgosto. Veja os cães estabelecendo seus limites uns com os outros. Aquilo é raiva.

A raiva não é uma emoção negativa da falsa personalidade. Ela pode servir como combustível e forragem para emoções negativas de falsa personalidade, mas em sua manifestação original não é.

Em primeiro lugar, pessoas diferentes reagem ao mesmo estímulo de forma diferente. O que pode ser desagradável para mim não é para você.

Segundo, a quantidade e a intensidade da raiva depende diretamente do temperamento de uma pessoa. Isto é bem conhecido na medicina tradicional que se baseia nos “elementos”; e é completamente ignorado pela medicina moderna ou pela psicologia. Depende também de vários traços de personalidade que a psicologia moderna ou às ignoram ou às mal-intepretam, como o “tipo de corpo” e outros. Uma pessoa colérica experimentará muito mais raiva do que uma pessoa fleumática.

Ensinamentos espirituais e as religiões são geralmente tendenciosos contra a raiva. Não é de se admirar pois a raiva é desagradável para qualquer um. Mas a raiva não é um sinal de fraqueza de qualquer tipo, desde que não se torne combustível para a falsa personalidade.

Por outro lado, em um nível puramente psicológico, aqueles que querem controlar têm que controlar a raiva dos outros antes de tudo. Na luta contra a tirania, a raiva é uma vantagem. Nada pode mudar sem raiva para desencadear uma revolução. Mas se não for controlada, também pode se tornar combustível para a própria tirania. O fogo não é um elemento fácil de entender, aceitar ou dominar.

A noção de que a raiva é uma falha é falsa e é má psicologia. Grande parte dessa atitude vem de preconceitos religiosos. Eles vêem um santo ou iogue ou guru sentado imóvel como uma abóbora e igualam isso à Iluminação. Isso é uma uma suposição superficial.

Ramana e Nisargadatta são um grande par para exemplificar isso. O Ramana parece ser uma pessoa fleumática — tipo “água”. Quase não tem raiva. E quando tem ninguém nunca o vê com raiva. Nisargadatta é um tipo de pessoa colérica, do tipo “fogo”. Impaciente e irritado com qualquer coisa de que ele não gostava.

O que é notável, porém, é que se a identificação com “eu” não estiver mais presente, a raiva não se prolonga. Ela não se torna mais combustível para emoções negativas da falsa personalidade. Há uma erupção, ela se vai assim que o estímulo se torna ausente e isso é o fim da história.

Também é notável que a educação e os traços naturais de algumas pessoas lhes dão a capacidade de controlar a raiva pela raiz ou algum tempo depois, e embora possa ser importante durante o trabalho espiritual preparatório, e útil em situações sociais, ela não é uma “medida” de Realização Espiritual.

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