A pessoa, o “eu”, é um fenômeno na forma de uma experiência intermitente. “Compreender a Fonte” não existe e não pode existir a não ser como um conceito associado ao “eu”. Substitua a palavra Fonte por Deus, Consciência, Conscientização, Vazio, Quietude, Unidade, Nada, Tao, Brahman, Dharmakaya, Absoluto, Divino, Infinito, Inmanifesto, Aquilo ou Isto, e se aplica da mesma forma.

Alguns conceitos são um reflexo da realidade. Alguns conceitos não refletem a realidade e são vazios. O conceito de que eu e a Fonte “não somos dois” reflete a realidade. O conceito de que eu devo me conectar com a Fonte ou voltar para a Fonte não reflete a verdade; porém, pode ser útil para impulsionar a mente em sua busca por liberdade espiritual durante certo tempo. Para aspirantes espirituais maduros, o momento em que a Fonte é “Realizada” em experiência direta é também o momento de descartar o conceito de Fonte.

Você faz parecer que a espiritualidade é totalmente inútil.

Isso é relativo. Ela pode ser útil como entretenimento mental ou emocional. No que diz respeito à busca espiritual e à libertação do sofrimento desnecessário, a espiritualidade só é útil enquanto Maya está ativa. Ou seja: enquanto a percepção e o conceito de separação entre eu e a Fonte estiverem em vigor.

Quando essa separação conceitual, sua crença associada e a carga emocional de autoidentificação se dissolvem, não há espiritualidade a considerar — chamamos isso de Autorrealização — e, nesse evento, o conceito de “eu” e o conceito de Fonte tornam-se vazios de significado.

Existe apenas o Espírito, que sempre foi o caso. A única diferença é que não há mais imaginação do contrário. Tornamo-nos normais e naturais, sem necessidade de conceitos sobre o eu ou sobre a divindade.

Pessoas normais não querem ou precisam da Fonte. Pessoas normais querem e precisam de verdade, bondade e beleza. Essas três qualidades são o primeiro passo da Fonte em direção à manifestação. Dessa tríade, tudo o mais surge: universos, galáxias, conceitos de todos os tipos, ensinamentos espirituais e caminhos, níveis de consciência, dimensões, tecnologias — como uma cascata.

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